quarta-feira, 23 de setembro de 2009

De volta pra casa


É engraçado perceber que mesmo depois de ter passado este período fora, as coisas aqui em casa continuam as mesmas. Os livros com o marca página aonde eu havia parado minha leitura, as roupas que eu havia deixado nas gavetas (que eu já nem lembrava mais da existência), as fotos do mural carinhosamente selecionadas, os móveis que continuam na mesma posição. As vezes tenho a impressão, de que nada foi atingido pelo tempo.

O abraço da minha mãe ainda é o meu melhor calmante, a risada do meu pai a mais engraçada, as cosquinhas do meu irmão que continuam me perturbando. Como é bom poder reencontrar pessoas queridas, abraçá-las, ouvir e contar as novidades, apenas ficar junto...

Senti falta do cheiro do café, dos almoços de domingo, de jogar baralho com meus pais antes de dormir, de não ter hora pra acordar. Senti falta dos amigos, daqueles que mesmo longe se fizeram tão presentes. Quando os reencontrei, tive a doce sensação de que a despedida havia sido apenas por um dia, e não por um ano.

Ao mesmo tempo, também é estranho notar que apesar de tudo ainda ser igual, eu já não sou mais a mesma, e perceber que na verdade, é justamente isso que faz toda diferença. A minha "essência" pode até ter permanecido, mas os meus pontos de vista e algumas das minhas"verdades" acabaram sendo modificadas.

Já não tenho mais o mesmo gosto, a mesma tolerância, o mesmo comportamento, os mesmos hábitos, as mesmas reações. Porém não acho que mudar seja algo negativo, pelo contrário, ainda acredito que "mudança" seja sinônimo de evolução.

E eu que pensava que com esta viagem, além de conhecer outros países, eu iria principalmente, me conhecer melhor. No fim, acabei mudando tanto que já nem me reconheço mais...

E não é que ironicamente, depois de conhecer tantas terras estrangeiras, parece que eu fui ter o tal do "choque cultural" só depois de voltar ao meu próprio país?

Agora só me resta aproveitar esta fase para matar a saudade, mexer os meus pauzinhos e acreditar no clichê de que "o futuro é sempre promissor". Mas, só pra quem corre atrás...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Mijn lief zusje...

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Falta menos de uma semana pra eu retornar ao Brasil! Eu ainda nem fui, mas tenho certeza que sentirei MUITA falta desta vida de au pair. Portanto é por isso que postarei outro vídeo. De certa forma, além de vocês conhecerem um pouquinho da minha rotina é principalmente, uma maneira de eu arquivar estes momentos tão doces. Este foi gravado hoje com a menininha que eu cuido.

Karlijn tem 7 anos e além de linda, é a criança mais inteligente que eu conheço (ok, ok, eu sei que já deu pra perceber que eu sou uma "irmã coruja", mas é verdade!!!).

Pra que falar mais se vocês podem assistir e conferir?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Uma noite babysitting...

Uma das minhas raras (Ufa!) noites de babysitting...Divertidas e cansativas!

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Nem toda brasileira é (vaga)bunda...

No dia 12 de setembro de 2008, devido uma conexão da Alitalia, desembarquei no aeroporto Malpensa, em Milão. Estava destinada a passar 4 horas por ali, antes de pegar um vôo a Dusseldorf, onde minha família holandesa me buscaria. Fazia 30ºC quando eu saí de São Paulo e fui recepcionada por um verão europeu de 15ºC. Eu tentava resistir ao frio e ao nervosismo que teimavam em aparecer.

Não estava fazendo nada errado, mas a idéia do meu destino depender da boa vontade de um indivíduo, que não tinha a menor noção do quanto eu havia almejado estar ali, me perturbava. Eu já esperava ser interrogada, mostrar documentos, explicar o porquê eu queria morar um ano na Europa, tentar convencê-los de que eu não ficaria ilegal no continente e todo aquele blá,blá,blá. Eu tinha em mãos visto, carta da família, seguro médico, os euros requisitados e passagem de volta ao Brasil, mas mesmo assim, viajar com passaporte brasileiro sempre causa uma certa insegurança.

Depois de algum tempo na fila, enfim, havia chegado a minha vez. O oficial italiano pediu meu passaporte e viu que eu vinha do Brasil. Pronto! Bastou saber que eu era brasileira para o comportamento mudar. Checou visto, toda a documentação, fez milhares de perguntas e então me mandou tirar o casaco(?). E ali na fila, ele deu um sorrisinho malicioso, colocou a mão por dentro da minha blusa e acariciou a minha cintura. Só então, falou que eu podia ir. Eu gelei, mas desta vez não era por causa do frio.

Não tinha chorado quando me despedi dos meus pais, do meu irmão, dos meus amigos. Não havia chorado, mesmo vendo minha mãe chorar no aeroporto de Guarulhos. Mas ali em Milão, depois de ter "passado" pela imigração, eu chorei!

Fiquei com raiva, tive nojo, me senti humilhada e não tinha a quem recorrer.

Durante estes meses na Europa, o episódio com o oficial não foi o único e nem o último. E conversando com outras brasileiras, vejo que o "assédio" não foi só comigo. Independente do biotipo, quando você fala que é do Brasil, a reação masculina é sempre a mesma "Hummmm, Brazil? Really?", seguido de um olhar mal intencionado.

A pior parte é saber que este rótulo não foi criado ocasionalmente. O grande número de prostitutas brasileiras no velho continente e o tal carnaval com suas mulheres nuas, apenas reforçam este conceito aos estrangeiros.

É claro que existe gente legal e babaca em qualquer lugar. É lógico que encontrei muitos "gentlemen" mundo afora. E é óbvio também que toda mulher gosta de se sentir bonita e desejada, portanto confesso que, DEPENDENDO do gringo, até falei que era brasileira, com aquela intençãozinha de provocar. Mas mesmo assim, nem toda brasileira é "(vaga)bunda", poxa! Ou pelo menos, não sempre e muito menos, com qualquer um.

A mulher brasileira parece não ter nome, rosto ou personalidade. Para a maioria dos gringos, ela apenas tem um corpo bonito e sabe sambar. Portanto, meu amigo, se um dia alguém te perguntar sobre as tais mulheres brasileiras, experiemente apresentá-lo à Tarsila do Amaral, Cecília Meireles, Lya Luft, Elis Regina ou Fernanda Montenegro. Quem sabe assim a gente não consegue, finalmente, acabar com este estigma!