segunda-feira, 10 de maio de 2010

Blind Ticket!




Se você está aberto a conhecer novos lugares, independente, da onde eles sejam (rs), o Blind ticket é uma excelente opção para "baratear" sua viagem. Estes "tickets cegos" são oferecidos por várias companias aéreas na Europa. Você paga uma taxa pré-determinada, não importa qual o destino, a um preço baixíssimo e está sujeito a ir a qualquer lugar que o sistema escolha, aleatoriamente, para você. São dezenas de cidades cadastradas!

Logo quando soube desta possibilidade, resolvi tentar. Eu sempre tive em mente que não existe um lugar melhor ou pior que o outro, são apenas estilos de vida diferentes. Partindo deste pressuposto, qualquer lugar que eu fosse seria lucro. Principalmente, quando a passagem ida e volta sairia por míseros 30,00 Euros (rs).

Foi assim que conheci Sofia, a capital búlgara. Eu não tinha em mente nenhum rótulo sobre a Bulgária. Simplesmente eu não sabia NADA sobre lá, nem contra nem a favor. Não sabia sequer se brasileiros precisavam de visto para entrar no país. Determinado o destino comecei as minhas pesquisas.

Para minha alegria, até 90 dias, brasileiros não precisavam solicitar visto com antecedência. O visto seria concedido (ou não, vai saber) no controle de imigração. Também havia entrado em contato com um host do Couch Surfing para me hospedar. Adam era americano, fazia 8 anos que morava em Sofia e aceitou prontamente me hospedar durante o fim de semana.

Malas prontas, passaporte na mão e dinheiro no bolso, embarquei para a tal da Bulgária.

Cheguei, passei tranquilamente pela imigração e fui pegar um taxi para a casa do meu host. Adam já havia me orientado a fazer isso quando eu chegasse e ressaltou que eu não precisaria me preocupar com dinheiro, além do país ser muito barato, o euro, na época, valia 5 vezes mais que a moeda búlgara.

A primeira impressão que eu tive do país foi "Que lugar horrível!". Acostumada ao glamour e à beleza das outras capitais européias, Sofia definitivamente não se enquadrava ao "padrão de beleza europeu". Não é uma cidade bonita, logo de cara. Mas é uma cidade que te conquista com uma história sofrida.

As maiores dificuldades, no entanto, foram: a língua e a comida. A maioria da população fala apena búlgaro e russo, influência da ex-União Soviética. Tive muita dificuldade pra pedir informações em inglês. Apenas alguns jovens dominam este idioma, já que há 20 anos ela era considerada a "língua do inimigo".

Já o dilema da comida, na realidade, também está associado à barreira linguística. Quase todos os restaurantes não possuíam cardápio em outro idioma, que não fosse búlgaro ou russo. Resumindo? Escolhia meus pratos por dedução e mímica rs. Até hoje, quando converso com Adam, ele diz que não consegue se esquecer da cena em que eu imitei uma galinha para o garçon. Pedi um "chicken", ele não sabia o que era "chicken", tive que imitar um, ué! A carne branca até veio, a dúvida é se era de galinha mesmo rs.

Outro fato interessante, que causou muito tumulto, é que os búlgaros quando querem dizer sim com a cabeça, fazem o sinal, que para nós, significa não. E vice-versa. O problema é que alguns na tentativa de serem simpáticos, quando percebem que você é estrangeiro, simplesmente, fazem da maneira "convencional". Resultado? Fiquei perdida milhares de vezes!!

Entre dificuldades e diversão, a lembrança e o aprendizado que eu tive graças à um Blind Ticket, é de que definitivamente, a linguagem universal é a mímica e o bom humor. É normal ficar inseguro com o próprio conhecimento de um idioma estrangeiro, antes de uma viagem internacional. Apenas evite que este medo, seja empecilho para que você viva momentos incríveis e aprenda com as diferenças culturais!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Brincando na neve...

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...em uma tarde comum de inverno!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Amigo haitiano

Em 2006/2007, durante 4 meses, morei em Virgínia Beach, EUA. Participei do programa Work and Travel. Este tipo de intercâmbio permite que universitários do mundo todo, trabalhem durante as férias acadêmicas em empresas norte-americanas.

Minha empregadora, Jodie, gerenciava toda praça de alimentação de um Shopping Center da cidade. Anualmente jovens, a grande maioria da América Latina e Ásia, eram contratados temporariamente por ela. Foi neste período que conheci Jeffrey.

Jeffrey era um haitiano, de 26 anos, que havia sido contratado para o período das férias e acabou prorrogando sua estadia. Estudava medicina em Porto Príncipe, mas dizia que a sua remuneração era melhor como garçon nos EUA. Assim, há 2 anos adiava sua volta, para "fazer" dinheiro. Queria comprar uma casa própria aos pais e pagar os anos restantes da faculdade.

Almoçávamos juntos e treinava meu francês com ele. Ele dizia que não entendia porquê as pessoas queriam aprender francês na França, se gastariam bem menos se fossem para o Haiti. Eu sempre ria deste pensamento! Fazia sentido...

O tempo passou, eu voltei ao Brasil, fiz novas viagens, mas a gente não perdeu contato. A última mensagem que recebi foi um desejo de "Feliz 2010"! Jeffrey finalmente havia voltado ao Haiti, e estava animado por rever a família, os amigos, por finalmente ter atingido sua meta. Disse que 2010 seria um ano de mudanças!

Foi a última notícia que tive...

E hoje, pelo jornal, vendo o desespero e a angústia estampados nos rostos de milhares de haitianos pós-terremoto, só me resta tentar procurar entre todos eles um rosto conhecido e esperar, ansiosamente, por uma nova mensagem...